PARTE
V
O
rapaz vacilou.
A
filha do gigante era a moça mais linda e perfumosa que ele já tinha visto na vida.
O
rapaz abaixou a cabeça. Disse que levava a garrafa.
Depois,
já com a água, montou o seu cavalo branco e partiu.
No
meio do caminho, escutou um galope. Olhou para trás.
Era
a moça, a filha do gigante. A moça chegou toda risonha cavalgando o cavalo de
prata com a espada de ouro na mão:
– Eu
estava encantada pelo gigante e agora sou livre, graças a você. Quis ficar com
a garrafa mas agora, além dela, tem também a espada de ouro, o cavalo prateado
e a mim, se quiser.
O
rapaz abraçou a moça cheio de felicidade.
No
fim do dia, os dois chegaram a uma estalagem. Era o lugar onde estavam
hospedados os dois irmãos do moço.
Ao
reencontrar seus irmãos, o príncipe ficou tão feliz que se esqueceu das
palavras do vulto:
–
Queridos irmãos – disse ele -, consegui arrancar do gigante a garrafa com a
água que vai curar nosso pai.
Arrumem
suas coisas. Amanhã cedo vamos todos juntos de volta para casa.
Os
irmãos mais velhos vibraram de alegria. Por fora. Por dentro, ficaram mordidos
da mais negra e suja inveja.
No
dia seguinte, o grupo partiu.
Andaram,
andaram e andaram. Numa tarde, o calor estava abrasador e os viajantes sem uma
gota d’água. Quando finalmente encontraram um poço, descobriram que não tinham
como tirar a água.
– A
gente amarra você numa corda, você vai até o fundo e pega a água com o chapéu –
disse o irmão mais velho ao irmão caçula.
O
moço foi. Quando estava lá embaixo, os dois irmãos cortaram a corda, agarraram
a garrafa com o remédio, a filha do gigante, o cavalo de prata, a espada de
ouro e foram embora.
Diante
daquela traição, a pobre moça se desesperou, deu um grito e ficou muda.
O
irmão mais velho e o irmão do meio chegaram de volta ao palácio de seu pai e
foram recebidos como heróis.
Mentiram.
Disseram que tinham arriscado a vida para conseguir o remédio. Disseram que o
irmão mais novo tinha morrido durante o combate.
A
moça muda chorava sem conseguir dizer nada.
Na
hora de mostrar o cavalo prateado, o bicho empinou, deu coices e patadas para
todos os lados e desembestou fugindo para um morro perto dali.
Na
hora de mostrar a espada de ouro, ninguém teve força para arrancá-la da bainha.
Na
hora de abrir a garrafa com a água que traria a luz para os olhos do rei,
ninguém conseguiu, nem com martelo nem com alicate.
A
decepção foi geral. Abatido, o rei voltou para seu quarto escuro. De que
adiantava um santo remédio que ninguém podia tomar?
Enquanto
isso, o filho mais moço do rei continuava preso no poço chorando e gritando por
socorro. Um dia, escutou uma voz. Era, de novo, o vulto encapuzado e curvo,
coberto de panos. O vulto disse:
–
Bem que eu avisei. Não devia ter voltado à estalagem onde estavam seus irmãos.
Agora, pegue essa corda e segure firme.
Obs.: Será que finalmente ele vai conseguir voltar para o castelo? Vamos lá! Desvendem mais um desafio e descubra o desfecho dessa história.
A
respeito dos processos de formação de palavras, identifique a alternativa incorreta:
a) Os adjetivos perfumosa,
prateado e risonha são formados por derivação sufixal.
b b) A palavra encapuzado, assim como encantada,
é formada por derivação parassintética.
c c) O advérbio de lugar embaixo é formado por derivação prefixal.
d d) Na palavra abrasador, ocorre processo de
derivação parassintética.
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