Calma!
Até o texto explicativo tem explicação!
Texto
explicativo
O texto explicativo
apresenta esclarecimentos sobre determinado fato ou assunto, através de descrições,
exposição das características, argumentos, definições e exemplos, ou seja,
todas as informações referentes ao tema que o texto vai apresentar. Trata-se de
um texto literal, isto é, explica o fato ou assunto exatamente como é, sem
permitir outras interpretações. Portanto, o texto explicativo deve ter uma
linguagem clara e objetiva para que o leitor compreenda as informações que
estão sendo fornecidas e não as interpretem de maneira equivocada.
Vale ressaltar que é
recomendável a utilização da 3ª pessoa do plural ou do singular e o uso de
título não é obrigatório em todos os casos e quando usado deve ser coerente com
o tema que o texto trata. Alguns exemplos de textos explicativos são: redações,
manuais, bulas de remédios, receitas, artigos, etc.
O texto explicativo
deve ser estruturado da seguinte forma:
Ø Introdução
– Trata-se do início do texto. Nessa parte deve conter a apresentação do tema
que será abordado e os problemas que serão discutidos, de uma maneira que
convide o leitor para conhecer o texto. Portanto, é indicado o uso de
originalidade na introdução e evitar o uso de chavões, bem como o desvio do
tema e o uso de períodos longos. A introdução é uma espécie de síntese do que o
texto vai abordar.
Ø Desenvolvimento
– Considerado o “corpo” do texto, essa parte é dedicada ao desenvolvimento do
tema do texto, ou seja, é o momento de apresentar as argumentações, informações
e exemplos referentes ao tema. Contudo, deve ser evitado o uso excessivo de
exemplos ou de exemplos que não se adequam ao tema do texto, bem como o uso de
repetições.
Ø Conclusão
– É o momento de sintetizar as ideias apresentadas e propor soluções para os
problemas discutidos. Na conclusão o posicionamento do autor ganha maior
evidencia, portanto, deve estar coerente com o que foi introduzido e
desenvolvido. Contudo, vale ressaltar que não é necessário avisar que vai
concluir o texto utilizando expressões como: “Para concluir...”,
“Concluindo...”, “Em resumo...”, etc. Prefira expressões com a ideia de síntese
e que retome o que já foi dito, como: “Diante disso...”, “Dessa forma...”,
“Diante do exposto...”, “Portanto...”, etc.
Vejamos um exemplo:
O
verdadeiro preço de um brinquedo
É comum vermos comerciais direcionados ao público
infantil. Com a existência de personagens famosos, músicas para crianças e
parques temáticos, a indústria de produtos destinados a essa faixa etária
cresce de forma nunca vista antes. No entanto, tendo em vista a idade desse
público, surge a pergunta: as crianças estariam preparadas para o bombardeio de
consumo que as propagandas veiculam?
Há quem duvide da capacidade de convencimento dos
meios de comunicação. No entanto, tais artifícios já foram responsáveis por
mudar o curso da História. A imprensa, no século XVIII, disseminou as ideias
iluministas e foi uma das causas da queda do absolutismo. Mas não é preciso ir
tão longe: no Brasil redemocratizado, as propagandas políticas e os debates
eleitorais são capazes de definir o resultado de eleições. É impossível negar o
impacto provocado por um anúncio ou uma retórica bem estruturada.
O problema surge quando tal discurso é direcionado
ao público infantil. Comerciais para essa faixa etária seguem um certo padrão:
enfeitados por músicas temáticas, as cenas mostram crianças, em grupo,
utilizando o produto em questão. Tal manobra de “marketing” acaba transmitindo
a mensagem de que a aceitação em seu grupo de amigos está condicionada ao fato
dela possuir ou não os mesmos brinquedos que seus colegas. Uma estratégia como
essa gera um ciclo interminável de consumo que abusa da pouca capacidade de
discernimento infantil.
Fica clara, portanto, a necessidade de uma
ampliação da legislação atual a fim de limitar, como já acontece em países como
Canadá e Noruega, a propaganda para esse público, visando à proibição de
técnicas abusivas e inadequadas. Além disso, é preciso focar na conscientização
dessa faixa etária em escolas, com professores que abordem esse assunto de
forma compreensível e responsável. Só assim construiremos um sistema que, ao
mesmo tempo, consiga vender seus produtos sem obter vantagem abusiva da
ingenuidade infantil.
Redação
Enem nota 1000 – Ano 2014
Candidato:
Carlos Eduardo Lopes Marciano, 19 anos (RJ).
Disponível
em: http://blogdoenem.com.br/redacao_enem_nota_1000/
Maíra de Jesus.
Graduanda em Letras, Língua Portuguesa e
Literaturas pela Universidade do Estado da Bahia – Departamento de Ciências Humanas – Campus V.