sábado, 21 de maio de 2016

Tá na boca do povo: gêneros textuais de tradição oral

Lendas, contos, adivinhas, fábulas e provérbios são exemplos de gêneros textuais de tradição oral. Esses gêneros textuais preservam histórias e costumes através da oralidade, dessa forma, contribui para a formação da identidade cultural. Para compreender melhor como são esses gêneros textuais, vamos conhecer alguns deles.
A lenda – Consiste na narrativa transmitida pela tradição oral através dos tempos, que combina fatos reais com irreais. Geralmente, as lendas surgem para explicar fatos que não tem uma explicação científica, como acontecimentos misteriosos ou sobrenaturais.
EX: “O Saci Pererê” e “A loira do banheiro”.
O Conto – Trata-se de uma narrativa em prosa com pouca extensão que apesenta algumas características do romance. O conto caracteriza-se pela concisão, a precisão, a densidade e a unidade de efeito.
EX: “Chapeuzinho vermelho” e “João e o pé de feijão”
A Adivinha ou adivinhações – São perguntas e respostas de humor com conteúdo desafiador e dúbio.
EX: O que é o que é surdo e mudo, mas conta tudo?
Resposta: o livro.
A fábula – É uma narrativa alegórica na qual os personagens são animais com características humanas. A fábula tem o objetivo de transmitir uma lição de moral.
EX: “O leão e o rato” e “A cigarra e a formiga”
O Provérbios ou Ditado Popular – Consiste numa sentença popular que expressa de forma sucinta uma ideia ou pensamento.
EX: “Água mole em pedra dura, tanto bate, até que fura.”

Maíra de Jesus e Thainara Souza

Graduandas no Curso de Licenciatura em Letras, Língua Portuguesa e Literaturas pela Universidade do Estado da Bahia – Departamento de Ciências Humanas – Campus V.
Calma! Até o texto explicativo tem explicação!
Texto explicativo

O texto explicativo apresenta esclarecimentos sobre determinado fato ou assunto, através de descrições, exposição das características, argumentos, definições e exemplos, ou seja, todas as informações referentes ao tema que o texto vai apresentar. Trata-se de um texto literal, isto é, explica o fato ou assunto exatamente como é, sem permitir outras interpretações. Portanto, o texto explicativo deve ter uma linguagem clara e objetiva para que o leitor compreenda as informações que estão sendo fornecidas e não as interpretem de maneira equivocada.
Vale ressaltar que é recomendável a utilização da 3ª pessoa do plural ou do singular e o uso de título não é obrigatório em todos os casos e quando usado deve ser coerente com o tema que o texto trata. Alguns exemplos de textos explicativos são: redações, manuais, bulas de remédios, receitas, artigos, etc.

O texto explicativo deve ser estruturado da seguinte forma:


Ø  Introdução – Trata-se do início do texto. Nessa parte deve conter a apresentação do tema que será abordado e os problemas que serão discutidos, de uma maneira que convide o leitor para conhecer o texto. Portanto, é indicado o uso de originalidade na introdução e evitar o uso de chavões, bem como o desvio do tema e o uso de períodos longos. A introdução é uma espécie de síntese do que o texto vai abordar.
Ø  Desenvolvimento – Considerado o “corpo” do texto, essa parte é dedicada ao desenvolvimento do tema do texto, ou seja, é o momento de apresentar as argumentações, informações e exemplos referentes ao tema. Contudo, deve ser evitado o uso excessivo de exemplos ou de exemplos que não se adequam ao tema do texto, bem como o uso de repetições.
Ø  Conclusão – É o momento de sintetizar as ideias apresentadas e propor soluções para os problemas discutidos. Na conclusão o posicionamento do autor ganha maior evidencia, portanto, deve estar coerente com o que foi introduzido e desenvolvido. Contudo, vale ressaltar que não é necessário avisar que vai concluir o texto utilizando expressões como: “Para concluir...”, “Concluindo...”, “Em resumo...”, etc. Prefira expressões com a ideia de síntese e que retome o que já foi dito, como: “Diante disso...”, “Dessa forma...”, “Diante do exposto...”, “Portanto...”, etc.

Vejamos um exemplo:

O verdadeiro preço de um brinquedo

É comum vermos comerciais direcionados ao público infantil. Com a existência de personagens famosos, músicas para crianças e parques temáticos, a indústria de produtos destinados a essa faixa etária cresce de forma nunca vista antes. No entanto, tendo em vista a idade desse público, surge a pergunta: as crianças estariam preparadas para o bombardeio de consumo que as propagandas veiculam?
Há quem duvide da capacidade de convencimento dos meios de comunicação. No entanto, tais artifícios já foram responsáveis por mudar o curso da História. A imprensa, no século XVIII, disseminou as ideias iluministas e foi uma das causas da queda do absolutismo. Mas não é preciso ir tão longe: no Brasil redemocratizado, as propagandas políticas e os debates eleitorais são capazes de definir o resultado de eleições. É impossível negar o impacto provocado por um anúncio ou uma retórica bem estruturada.
O problema surge quando tal discurso é direcionado ao público infantil. Comerciais para essa faixa etária seguem um certo padrão: enfeitados por músicas temáticas, as cenas mostram crianças, em grupo, utilizando o produto em questão. Tal manobra de “marketing” acaba transmitindo a mensagem de que a aceitação em seu grupo de amigos está condicionada ao fato dela possuir ou não os mesmos brinquedos que seus colegas. Uma estratégia como essa gera um ciclo interminável de consumo que abusa da pouca capacidade de discernimento infantil.
Fica clara, portanto, a necessidade de uma ampliação da legislação atual a fim de limitar, como já acontece em países como Canadá e Noruega, a propaganda para esse público, visando à proibição de técnicas abusivas e inadequadas. Além disso, é preciso focar na conscientização dessa faixa etária em escolas, com professores que abordem esse assunto de forma compreensível e responsável. Só assim construiremos um sistema que, ao mesmo tempo, consiga vender seus produtos sem obter vantagem abusiva da ingenuidade infantil.

Redação Enem nota 1000 – Ano 2014
Candidato: Carlos Eduardo Lopes Marciano, 19 anos (RJ).
Disponível em: http://blogdoenem.com.br/redacao_enem_nota_1000/

Maíra de Jesus.
Graduanda em Letras, Língua Portuguesa e Literaturas pela Universidade do Estado da Bahia – Departamento de Ciências Humanas  Campus V.