Leitura desafiada - O rei que ficou cego - Parte IV

Parte IV

Nada de mau aconteceu. Chegando ao palácio de vidro, meteu-se no meio da batalha e passou sem ser ferido. Entrou no palácio, pegou a espada e bainha e saiu. Não encontrou mais nem batalha, nem rio. Tudo havia desaparecido.
O moço correu para o castelo do gigante, que ficou muito contente com a espada, mas disse:
– Só deixo pegar a água da fonte se você for ao palácio de cristal e trouxer o cavalo prateado.
O príncipe não teve outro jeito e concordou.
No meio do caminho, encontrou novamente o vulto encapuzado e curvo, coberto de panos. O vulto disse:
– O gigante quer acabar com você, mas não vai conseguir. Preste bem atenção.
Havia um novo e perigoso rio. Suas águas eram cheias de monstros. O vulto mandou o rapaz atravessar o rio, sempre de olhos fechados. Disse que, quando chegasse do outro lado, ia encontrar mais de duzentos cavalos lutando, dando coices e patadas uns nos outros.
– Não tema. Meta-se no meio deles até encontrar o cavalo prateado. É o mais bonito, o mais bravo, o mais louco, o que dá mais coices. Vá até ele, passe uma corda em seu pescoço e venha embora.
O vulto disse isso e desapareceu sem mais nem menos.
O rapaz não tinha escolha.
Fechou os olhos, saiu galopando e saltou no rio dos monstros. Nada de mau lhe aconteceu. Chegando ao palácio de cristal, meteu-se no meio da luta entre os cavalos e não levou nem um coice. No meio da confusão, encontrou o cavalo prateado. Era uma fera, empinando, mordendo e dando patadas. O filho mais novo do rei jogou uma corda no pescoço do bicho e veio embora. Na volta, não encontrou mais nenhum cavalo lutando, nem rio cheio de monstros, nem nada. Tudo havia desaparecido.
O moço correu para o castelo do gigante, que ficou muito contente ao ver o cavalo prateado mas disse:
– Só deixo levar a água da fonte se você for ao palácio de diamante e trouxer minha filha que vive lá presa.
O príncipe não teve outro jeito e concordou.
Quase no fim do caminho, encontrou novamente o vulto encapuzado e curvo, coberto de panos. O vulto avisou:
– Não se preocupe. Essa vai ser sua última viagem a mando do gigante. Não tenha medo de nada. Vai encontrar um rio de fogo. Salte dentro das chamas e vá em frente. Ao chegar ao palácio de diamante, você vai enxergar vários leões tomando conta. Se estiverem de olhos fechados é sinal de que estão acordados. Se estiverem de olhos abertos, é porque estão dormindo.
E o vulto acrescentou que o rapaz só deveria entrar no palácio quando os leões estivessem de olhos abertos. Disse também que a filha do gigante estava no palácio sentada num trono com doze cobras venenosas em volta. Mandou ter coragem, andar com cuidado para não pisar nos rabos das serpentes, pegar a moça no colo e fugir. Aconselhou ainda:
– Quando estiver voltando para casa, não pare de jeito nenhum, na estalagem onde estão hospedados seus irmãos!
Dizendo isso, sumiu.
O rapaz atravessou o rio de fogo, fez tudo o que o vulto recomendou e trouxe a moça de volta.
Foi correndo para o castelo do gigante, que ficou muito contente ao ver a filha e disse:

– Agora você pode escolher: ou fica com minha filha, com o cavalo prateado e com a espada de ouro ou leva a garrafa cheia de água.

Obs.: Que decisão difícil! Qual será a escolha dele? Vamos descobrir assim que desvendarmos o próximo desafio.

 Relacione as afirmações as palavras correspondentes:
(1) Aconselhou
(2) Perigoso
(3) Novamente
(4) Embora
(5) Escolha

( ) Esse adjetivo é formado pelo acréscimo de um sufixo, portanto tem-se um processo de derivação sufixal.
( ) Nesse advérbio ocorre um processo de composição por aglutinação, pois há alteração em pelo menos um dos radicais que se unem.
( ) Esse substantivo resulta da  redução da palavra primitiva, portanto identificamos um caso de derivação regressiva, no qual  substantivos são formados a partir de verbos.
( ) Advérbio formado por derivação sufixal, pois tem-se o acréscimo de um sufixo.
( ) A formação desse verbo resulta do processo de derivação parassintética, isto é, o acréscimo de dois afixos: prefixo e sufixo.


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